terça-feira, 6 de outubro de 2009

As respostas ...

E por que é que às vezes me fecho em conchinha e fico lá dentro quietinha esperando a vida passar?

Por que é que às vezes, as palavras me faltam e ao mesmo tempo me fazem sufocar?

Por que é que às vezes eu sinto falta de algo que nem eu mesma sei o que é?

Por que é que às vezes sou tão recolhida dentro de mim?

Por que é que sou assim?

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A vida tem passado numa rapidez imperceptível...

fatos, momentos, atitudes, coisas, tantas coisas acontencendo ao mesmo tempo: reconheço a face do medo!

quando foi que eu vivi sem medo?

quando foi que me permiti apenas ser feliz?

quando deixei de cobrar de mim coisas tão simples, mas que machucam tanto?

Quem é o meu pior inimigo?

Quem é que deseja pra mim as piores coisas?

Quem é que me quer tanto mal assim?

Por que age assim comigo?

Me perguntava isso, num domingos desses atrás, e tive uma resposta tão clara! Uma voz bem dentro de mim, uma voz que eu não sabia identificar mas que falava claramente, me dando a resposta que eu mesma busquei e não encontrei tantas e tantas vezes.

Sim, eu descobri, a resposta foi clara como um céu azul: sou eu mesma! Eu me quero mal. Eu me desejo (inconscientemente) as piores coisas, eu sou a minha grande inimiga, eu é que não quero me deixar ser feliz.

E por que alguém faria isso consigo mesma?

A voz continuou....

"Porque você não se perdoa. Você perdoa as pessoas, todas as que por um motivo ou outro te fizeram sofrer e perdoa sinceramente, mas não perdoa a si mesma. Se machuca constantemente, se fere sem motivos aparentes, só pra SE ver sofrendo. Só pra ter a certeza de que sofre. E com isso, não enxerga luz no fim do túnel e faz da sua vida esse sofrimento sem fim. Perdoe-se e deseje a você o melhor. Permita o melhor pra sua vida e aos que estão a seu lado e seja simplesmente Feliz."

Pois bem, faz duas semanas que estou com a resposta dentro de mim. Tentei desesperadamente, perdoar a mim mesma, mas a conclusão a que chego diariamente é que: eu não sei me perdoar, nem por onde começar e muito menos aceitar o meu próprio perdão....

1 comentários:

HOMEM (IN) COMUM disse...

A passividade, além de uma forma mortífera de gozo com a dor, é uma posição fatalista que impede a superação do trauma. Pode parecer paradoxal, mas uma sociedade narcisista tende a favorecer o culto a vítima. A vítima esta sempre preservada da responsabilidade ou da participação em relação as causas do seu sofrimento. Do ponto de vista do vitimismo, a cura das dores da vida, assim como da depreção, consistiria, sempre, primeiro, na reparação que deveria vir do outro, e em segundo lugar, na eliminação de todo o traço de má notícia que advenha do inconsiente. A vítima se sente a salva do conflito e da divisão subjetiva, assim como da indagação pelo seu desejo. Ninguém mais íntegro do que uma vítima, do ponto de vista do narcisismo do eu.

Maria Rita Kehl.

 
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