Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram. São imprevisíveis e sua única regra é a inconstância total. É irônico que justamente por isso, eles sejam tão perfeitos.
Caio Fernando Abreu

2 comentários:
Boa noite...
Eu estava lendo alguns poemas de Pablo Neruda, e repentinamente fiquei triste lendo este:
Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
Pablo Neruda.
Isso é o que na psicologia pode-se chamar de insight, clareza súbita na mente, no intelecto de um indivíduo; iluminação, estalo, luz. Certamente que há mil motivos que leva-nos a não acreditar em determinadas coisas, até porque, na maioria das vezes são coisas doloridas de serem vistas.
Agora, após todo esse tempo que estamos paralelamente nos vendo, cheguei a conclusão que nenhum de nós dois acredita realmente na existência do amor, na forma como a nossa alma tem desespero em querer. É por essa razão que "nunca" sairemos do nosso lugar. Não temos histórias bonitas para contar.
A nossa história nos transformou em descrentes do amor. Acreditamos nos filmes, em sexo, em desejo, em poemas, nos livros, e outras coisas mais, porém não acreditamos no amor, porque a nossa história não nos permite isso. Certifiquei-me após todo esse tempo, que somos realmente, espelho um do outro, ou alma-gemeas, em decorrência da história que ambos tivemos, e que nos leva a ser o que somos.
Eu já não tenho mais forças, cansei. Estou atualmente com cinquenta e três anos, e com a certeza de que esta é a minha última cartada na vida.
"O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso."
Friedrich Nietzsche.
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Então não se iluda, porque sei que nenhum de nós dois sairá dos seus respectivos lugares, e posso perceber nitidamente a nossa ligação sendo o cultivo de uma história bonita que está sendo escrita nesta nossa conturbada e passageira vida.
Eu sou um cara muito triste, não tenho histórias bonitas para contar, e estou só tentando sobreviver tentando esquivar-me das tristezas.
E assim, hoje fico por aqui...
RETRATO.
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles.
tudo isso que vc diz... eu ja sabia, eu já sei... há muito, muito tempo... infelizmente, eu já sei!
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